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02. Quais Antidepressivos Causam Maior Ganho de Peso?

Published on March 1, 2025 Certification expiration date: March 1, 2028

Paul Zarkowski, M.D.

Clinical Associate Professor - University of Washington

Key Points

  • Entre os antidepressivos mais prescritos, o escitalopram apresentou o maior ganho de peso em comparação com a sertralina. A bupropiona demonstrou discreta perda de peso.
  • O risco de ganho >5% do peso corporal foi 10-15% maior com escitalopram, paroxetina e duloxetina em comparação com a sertralina.
  • A adesão medicamentosa variou significativamente entre os antidepressivos, com a bupropiona apresentando a maior adesão (41%) e a duloxetina, a menor (28%).

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Ganho de Peso: Uma Preocupação Central no Uso de Antidepressivos

É frequente deparar-me com pacientes profundamente preocupados com o potencial ganho de peso ao iniciar um antidepressivo. Essa preocupação é legítima, considerando os fatores de risco metabólico associados ao aumento de peso. No entanto, fornecer informações precisas sobre as variações ponderais pode ser desafiador, dada a complexa relação entre depressão e peso.

A depressão não tratada pode afetar o apetite e a atividade psicomotora de diversas formas, dificultando o isolamento dos efeitos diretos dos antidepressivos sobre o peso.

Felizmente, um novo estudo publicado no Annals of Internal Medicine busca abordar essa questão, comparando as variações de peso entre diferentes antidepressivos.

Desenho do Estudo Emula Ensaios Clínicos

Este estudo empregou um desenho de emulação de ensaio-alvo (target trial emulation), que busca replicar os procedimentos e critérios de um ensaio randomizado por meio de revisão retrospectiva de prontuários.

Os pesquisadores analisaram dados de mais de um milhão de pacientes que iniciaram antidepressivos durante a década de 2010, incluindo, ao final, 183.000 pacientes que atenderam a critérios específicos:

• Monoterapia com um dos oito antidepressivos mais prescritos • Idade entre 20 e 80 anos • Medida de peso basal nos três meses anteriores ao início do tratamento

Os critérios de exclusão abrangeram condições com impacto significativo no peso, como neoplasias, gestação ou cirurgia bariátrica recente.

Embora não seja verdadeiramente randomizado, esse delineamento fornece informações relevantes sobre as variações de peso associadas aos antidepressivos.

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Escitalopram Lidera o Ganho de Peso

Após ajuste para diversos fatores, o estudo demonstrou que:

• Usuários de escitalopram apresentaram o maior ganho de peso: 1,03 kg a mais do que os usuários de sertralina após seis meses • Usuários de bupropiona perderam 0,8 kg em relação aos usuários de sertralina • Os demais antidepressivos não apresentaram diferença significativa em comparação com a sertralina

Análise por Intenção de Tratar Revela Nuances

Considerando que a adesão medicamentosa variou de 28% a 41%, os pesquisadores realizaram uma análise por intenção de tratar (intent-to-treat). Essa abordagem revelou:

• O escitalopram manteve a liderança no ganho de peso: 0,41 kg a mais do que a sertralina • Paroxetina, duloxetina, venlafaxina e citalopram também apresentaram ganho de peso ligeiramente superior ao da sertralina • A fluoxetina não demonstrou diferença significativa em relação à sertralina • Usuários de bupropiona ganharam 0,22 kg a menos do que os usuários de sertralina

Ganho de Peso Clinicamente Significativo

O estudo também avaliou o risco de ganho superior a 5% do peso corporal:

• Escitalopram, paroxetina e duloxetina apresentaram risco 10-15% maior • A bupropiona demonstrou redução de 15% no risco

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Achados Inesperados e Limitações

Chama a atenção o fato de os usuários de escitalopram terem apresentado ganho de peso significativamente maior do que os usuários de citalopram, apesar de o citalopram ser a mistura racêmica da qual o escitalopram é o enantiômero ativo. Esse achado suscita questionamentos sobre possíveis fatores de confundimento ou propriedades inesperadas do enantiômero R.

Embora este estudo observacional de grande escala forneça insights valiosos, vale ressaltar que a mirtazapina — frequentemente associada ao ganho de peso — não foi incluída na análise devido ao seu uso limitado na amostra estudada.

Implicações Clínicas

O potencial de ganho de peso deve ser considerado na seleção do antidepressivo, sem perder de vista que se trata de apenas um dos muitos fatores relevantes para essa decisão. Em pacientes com transtorno depressivo maior preocupados com efeitos adversos sexuais e que buscam melhora da atenção, o menor risco de ganho de peso associado à bupropiona representa um benefício adicional a ser ponderado.

Em suma, este estudo constitui um guia útil para a prática clínica, auxiliando os profissionais a orientar seus pacientes de forma mais precisa sobre as potenciais variações de peso associadas aos diferentes antidepressivos.

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